Admira-me a maneira como vocês entendem os ensinamentos de Cristo. Acham que converter-se a Cristo é seguir dogmas pré-estabelecidos por alguém “mais espiritual” do que eu. Como se ao tornar-me cristão houvesse alguma metamorfose e passasse de ser humano para um semideus, ou pior, um deus perfeito, melhor do que o resto da humanidade, ou pior ainda, seres perfeitos de um ponto de vista carnal, transbordado de ego e orgulho do tal “mais espiritual”. Este “perfeito” não o é para Deus.
Para estes, pouco importa ser. Não digo com isto que eles não valorizam o ser, mas importa muito menos do que o parecer.
Vou contar uma história, algo que aconteceu comigo a bem pouco tempo. É um exemplo simples, que envolve o dia-a-dia das pessoas:
Estava eu indo à minha labuta diária, num ônibus de linha que me levaria até o centro da cidade onde moro. Passando pelo 3° ponto entra uma senhora de cabelos cumpridos, saia, semblante simples, pois não usava nenhum tipo de maquiagem ou jóias, e levava consigo dois filhos que aparentavam ter entre 8 e 11 anos de idade. Esta mulher me saudou com “a paz do Senhor” e logo começou a mostrar uma conduta exemplar. A menina (a filha da jovem senhora)passou a catraca junto com ela, espremida num espaço destinado a apenas uma pessoa, e o menino (o outro filho) passou por baixo da catraca. A este ponto da história, eu estava a conversar com o cobrador do ônibus que era amigo de longa data, e não era Cristão. Quando o meu amigo cobrador percebeu a situação, perguntou à jovem senhora: “ quantos anos eles têm?” ao que ela respondeu: “eu não tenho dinheiro, e eles vão passar assim mesmo”.
Diante do ocorrido, o meu amigo me olhou e fez um comentário que até hoje não esqueci: “ê Luis, essas irmãzinhas da sua igreja viu...”
Diante do acontecido, conversei com o meu até então pastor, pois a jovem senhora era membrada à mesma igreja que eu, e o pastor simplesmente me ignorou e ainda tirou a razão do pobre cobrador!
Fico imaginando, o que o tal pastor faria se eu tivesse dito que vira a tal irmã de calças ou adornada de alguma jóia, ou até mesmo maquiada, coisas que o estatuto de sua igreja proíbe.
Diante de algumas situações, posso compreender que o zelo dos legalistas é aplicado de forma errada, pois excluindo membros de suas igrejas por “pecados” que Deus não condena, e que por isso são apenas costumes diferenciados e que tem a ver com a própria personalidade da pessoa, toleram falta de testemunho, e escândalo.
Pecado é pecado e deve ser tratado como tal. Mas parece-me que os pecados cometidos contra os estatutos são piores.
Por este e outros motivos da mesma ordem é que hoje alguns me consideram como “afastado do caminho certo” ou dizem: “você perdeu a graça”. Mas que graça é esta, que se opõe à própria Palavra de Deus? Estão sob a graça aqueles que julgam os irmãos sem sequer ter base bíblica para isto? Estão sob a graça de Deus aqueles que tentam a qualquer preço tirar um cisco do olho alheio tendo toras nos seus próprios olhos? Estão sob a graça de Deus aqueles que carregam suas denominações nas costas? Não.
A estes, a cruz se torna mais pesada, um fardo insuportável que não poderá ser levado por muito tempo.
Naquele que investe em mim,
Luis Paulo Silva.
"Os reavivamentos mais puros e poderosos que testemunhei são justamente os mais criticados."
Charles G. Finney