A ARTE DE FAZER NASCER DE NOVO

"É necessário que você nasça de novo Nicodemos!" Quantas vezes preguei sobre o tema!

Maria me procurou e disse: "Preciso aceitar a Cristo e sinto que deve ser feito logo!". Num culto de domingo a Maria foi à frente, ao som do "apelo " e em lágrimas estava lá, confessando crer em Cristo e sentindo os seus pecados.
Mais tarde pude dizer na tentativa de encorajá-la, o quanto servir a Deus é maravilhoso ao que me foi respondido: "Eu já estou sentindo isto há um tempo..".
Há semanas, tive a oportunidade de falar sobre Cristo com ela. Falamos sobre oração, idolatria, responsabilidade pessoal, arrebatamento, juízo, e outros temas que o Senhor direcionava, e no final ao fazer uma oração, podia sentir a confirmação de Deus para a palavra ministrada. Fomos à igreja uma, duas, três, quatro, e enfim, ela se rendeu!

Jesus disse a Nicodemos que ele necessitava de um nascimento espiritual. Este nascimento não pode existir apenas pela vontade humana, mas havendo disposição da parte do ser humano, Deus o faz acontecer. É o maior milagre, pois muda o espírito do homem, coisa que ninguém faz, haja vista as casas de recuperação, sistemas prisionais, e tantos outros "jeitos" que a sociedade inventa na tentativa de mudar a atitude das pessoas com problemas na sociedade.

No dia em que Maria se rendeu a Cristo, havia ouvido a mensagem pregada por um ex-presidiário, que tinha dado um testemunho de libertação realmente lindo acompanhado de uma palavra de conscientizarão evangelística. Ele dizia algo assim: "Aqui está quente, mas lá fora existe almas com frio!"

O que me chama a atenção é a forma como Deus faz isto, com quem ele faz isto e por que ele faz isto. Nicodemos resistiu ao chamado de Jesus, o mancebo de qualidades também o fez e pior ainda, sequer voltou atrás depois. Eles eram bons de mais para Deus, mas não do ponto de vista de Deus.

Compreendo o motivo pelo qual Jesus sempre era visto com as prostitutas, publicanos, cegos, leprosos, e outras pessoas completamente desprezadas e acusadas perante a sociedade do seu tempo. Era com essas pessoas que ele queria estar, e era com Ele que elas gostavam de estar pois uma vez estando com Ele, algo mudava por dentro, e esta mudança se refletia em suas fisionomias, e em todos os campos de suas vidas. Mas os bonzinhos viviam tão bem as suas rotinas de jejuns, sacrifícios, leituras da Lei, que pouco tinham o que mudar no seu exterior.

A mulher samaritana é um exemplo lindo. Mal conhecia a Cristo com a sua mente, mas a revelação do Espírito em seu espírito já era o suficiente para anunciar tudo o que sabia sobre Jesus, ao contrário de muitos que embora tendo um grande conhecimento , a ninguém anuncia boa nova alguma. Se contenta em pregar sermões em sua congregação com pretensão de parecer mais sábio, ou mais espiritual. Eis aí a primeira marca de quem realmente nasce de novo: O desejo de anunciar as boas novas! Os feitos de Deus mesmo que só saiba por enquanto o que ele fez em sua própria vida!

Zaqueu o publicano, pouco conhecia de Jesus, mas subiu numa árvore para poder vê-lo, e depois de recebê-lo com prazer em sua casa, se prontificou a entregar metade dos seus pertences aos pobres e restituir quatro vezes mais, caso tivesse cobrado algum valor a mais de alguém ao passo que Nicodemos foi se encontrar com Jesus à noite para não ser visto pelo demais companheiros fariseus e o mancebo de qualidades se entristeceu pois amava mais ao conforto do mundo do que o sofrimento de seguir o mestre. Eis ai mais uma marca na vida de quem se encontrou com Jesus um dia: Quem nasceu de novo não nasceu para gozar conforto aqui, mas abre mão do pecado, de tudo o que for preciso por amor a Cristo e não tem vergonha de se expor e correr risco por amor ao Evangelho de Cristo.

Jesus não prefere os "piores" mas os piores em algum momento acabam preferindo Jesus, pois entendem mais rápido que precisam dele. Jesus Cristo nunca amou aos pecados, mas sempre viu em muitos pecadores a humildade prontidão que acolhia o seu desejo de salvá-los e sua missão dava certo sempre.

Pensemos nisto. É possível que estejamos enganados quando dizemos que somos salvos se não vivemos estes requisitos citados.

Para a reflexão dos amados amigos e irmãos,

Luis Paulo Silva.

Causar escândalo é pecado? Parte 1



O irmão Luis Paulo fez a seguinte pergunta:

“O escândalo que não provém de um pecado pode afetar a sua salvação?
A Bíblia diz que o Senhor vai lançar no fogo os que cometem iniquidade e causam escândalo. Então, quero que considere o que Paulo diz, que se comer carne causar tropeço ao irmão, nunca mais ele comeria carne.
Seria coerente com a sã doutrina da Palavra de Deus usar, por exemplo, uma roupa que não seja condenada pela Palavra, mas que causa tropeço ao irmão?”

A pergunta é mais complexa do que aparenta.

Pretendo respondê-la por partes e deixo aqui o espaço aberto para que os irmãos que acompanham o blog opinem sobre a questão. Assim, divido a pergunta em três (usarei a tradução da NVI por achar que sua linguagem é mais clara):

1º)
“Um escândalo que não provém de pecado pode afetar a sua salvação? (...) A Bíblia diz que o Senhor vai lançar no fogo os que cometem iniquidade e causam escândalo.”

NÃO.
Em primeiro lugar, nossa salvação não depende de nossas atitudes. Nós pecamos o tempo todo e, desde que nos arrependamos, podemos alcançar o perdão dos nossos pecados (1João 1.8-10).
A Salvação é dom (presente) de Deus a todos que receberam Jesus como único e suficiente Salvador (João 1.12).

O Aurélio define escândalo como
“o que é causa ou resultado de erro ou pecado; indignação provocada por mau exemplo; fato imoral, revoltante”.

Cabe perguntar aqui: todo escândalo é pecado?
E se é pecado, é pecado pra quem: pra quem é causa de escândalo, pra quem se escandaliza ou para ambos?

Depende.

Vejamos o que Jesus diz em Mateus 13.40-42:

“Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.”

Nesta passagem, Jesus estava explicando aos seus discípulos o significado da parábola do joio. Aqueles que causam tropeço (ou escândalo, em outras versões) são o joio, ou seja, os filhos do maligno (cf. vv.38).

Neste caso, os causadores de escândalo são aqueles que, consciente e propositalmente levam os outros a tropeçar. São aqueles que têm aparência de piedade, mas na verdade não têm compromisso com Deus nem com sua Palavra (2Timóteo 3.3-5).

A partir disto, não podemos afirmar que todo causador de escândalo é réu do inferno.

Nem todo escândalo é pecado, pois o próprio Jesus causou escândalo (João 6.61).

Os escândalos pecaminosos são justamente aqueles provenientes de pecados, propositais.

Logo, o escândalo que causa pecado é aquele fruto de iniquidade. As pessoas que os cometem pecam conscientemente, e com o propósito de levar outros ao erro.

2º)
“...Quero que considere o que Paulo diz, que se comer carne causar tropeço ao irmão, nunca mais ele comeria carne.”

Agora, o que o apóstolo Paulo diz sobre a questão de comer carne já envolve um contexto totalmente diferente. Vejamos o que a Bíblia diz:

“Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristecer devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos, Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo. Pois também Cristo não se agradou a si próprio (...).”
(Romanos 14.13-15.3)

“Com repeito aos alimentos sacrificados aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus. Portanto, em relação ao alimento sacrificado aos ídolos, sabemos que o ídolo não significa nada no mundo e que só existe um Deus. Pois, mesmo que haja os chamados deuses, quer no céu quer na terra (como de fato há muitos 'deuses' e muitos 'senhores'), para nós, porém, há um único Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem vieram todas as coisas e por meio de quem vivemos. Contudo, nem todos têm esse conhecimento. Alguns, ainda habituados com os ídolos, comem esse alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é fraca, fica contaminada. A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos. Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem esse conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. Portanto, se aquilo que eu como leva meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.”
(1Coríntios 8.1-13)

“'Tudo é permitido', mas nem tudo convém. 'Tudo é permitido', mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros. Comam de tudo o que se vende no mercado, sem fazer perguntas por causa da consciência, pois 'do Senhor é a terra e tudo o que nela existe'. Se algum descrente o convidar para uma refeição e você quiser ir, coma de tudo o que lhe for apresentado, sem nada perguntar por causa da consciência. Mas se alguém lhe disser: 'Isto foi oferecido em sacrifício', não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros? Se participo da refeição com ação de graças, por que sou condenado por algo pelo qual dou graças a Deus? Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Não se tornem motivo de tropeço, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. Também eu procuro agradar a todos, de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos. Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”
(1Coríntios 10.23-11.1)

Aqui, Paulo se referia a um contexto específico. Entre os coríntios, era comum que a carne de animais fosse oferecida a deuses pagãos. O que sobrava, era vendido no mercado. Alguns crentes se abstinham de comprar aquela carne, porque sua consciência dizia que se o fizessem estariam pecando, devido ao fato de não acreditarem que não deveriam comer carne de sacrifícios.

Paulo esclarece que o fato de a carne ter sido sacrificada a ídolos não significava nada, pois nós sabemos que não existem ídolos, tendo em vista haver um só Deus verdadeiro.

Porém nem todos tinham esse conhecimento. Aos pobres de conhecimento Paulo chama 'fracos'. Os mais fortes como Paulo, que tinham conhecimento, deveriam, em amor aos cristãos fracos, restringir sua própria liberdade para não levar outros ao pecado.

Aqui, a Bíblia trata de questões de fé, ou seja, aquelas acerca das quais existe diferença de opinião, e não de condutas pecaminosas.

Podemos incluir neste contexto as vestes e qualquer outra atitude que não envolva o pecado propriamente dito.

Nestes casos, o princípio que deve reger a liberdade de cada um é o amor ao próximo, conforme 1 João 2.10:

“Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço.”