Causar escândalo é pecado? Parte 1



O irmão Luis Paulo fez a seguinte pergunta:

“O escândalo que não provém de um pecado pode afetar a sua salvação?
A Bíblia diz que o Senhor vai lançar no fogo os que cometem iniquidade e causam escândalo. Então, quero que considere o que Paulo diz, que se comer carne causar tropeço ao irmão, nunca mais ele comeria carne.
Seria coerente com a sã doutrina da Palavra de Deus usar, por exemplo, uma roupa que não seja condenada pela Palavra, mas que causa tropeço ao irmão?”

A pergunta é mais complexa do que aparenta.

Pretendo respondê-la por partes e deixo aqui o espaço aberto para que os irmãos que acompanham o blog opinem sobre a questão. Assim, divido a pergunta em três (usarei a tradução da NVI por achar que sua linguagem é mais clara):

1º)
“Um escândalo que não provém de pecado pode afetar a sua salvação? (...) A Bíblia diz que o Senhor vai lançar no fogo os que cometem iniquidade e causam escândalo.”

NÃO.
Em primeiro lugar, nossa salvação não depende de nossas atitudes. Nós pecamos o tempo todo e, desde que nos arrependamos, podemos alcançar o perdão dos nossos pecados (1João 1.8-10).
A Salvação é dom (presente) de Deus a todos que receberam Jesus como único e suficiente Salvador (João 1.12).

O Aurélio define escândalo como
“o que é causa ou resultado de erro ou pecado; indignação provocada por mau exemplo; fato imoral, revoltante”.

Cabe perguntar aqui: todo escândalo é pecado?
E se é pecado, é pecado pra quem: pra quem é causa de escândalo, pra quem se escandaliza ou para ambos?

Depende.

Vejamos o que Jesus diz em Mateus 13.40-42:

“Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.”

Nesta passagem, Jesus estava explicando aos seus discípulos o significado da parábola do joio. Aqueles que causam tropeço (ou escândalo, em outras versões) são o joio, ou seja, os filhos do maligno (cf. vv.38).

Neste caso, os causadores de escândalo são aqueles que, consciente e propositalmente levam os outros a tropeçar. São aqueles que têm aparência de piedade, mas na verdade não têm compromisso com Deus nem com sua Palavra (2Timóteo 3.3-5).

A partir disto, não podemos afirmar que todo causador de escândalo é réu do inferno.

Nem todo escândalo é pecado, pois o próprio Jesus causou escândalo (João 6.61).

Os escândalos pecaminosos são justamente aqueles provenientes de pecados, propositais.

Logo, o escândalo que causa pecado é aquele fruto de iniquidade. As pessoas que os cometem pecam conscientemente, e com o propósito de levar outros ao erro.

2º)
“...Quero que considere o que Paulo diz, que se comer carne causar tropeço ao irmão, nunca mais ele comeria carne.”

Agora, o que o apóstolo Paulo diz sobre a questão de comer carne já envolve um contexto totalmente diferente. Vejamos o que a Bíblia diz:

“Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristecer devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos, Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo. Pois também Cristo não se agradou a si próprio (...).”
(Romanos 14.13-15.3)

“Com repeito aos alimentos sacrificados aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus. Portanto, em relação ao alimento sacrificado aos ídolos, sabemos que o ídolo não significa nada no mundo e que só existe um Deus. Pois, mesmo que haja os chamados deuses, quer no céu quer na terra (como de fato há muitos 'deuses' e muitos 'senhores'), para nós, porém, há um único Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem vieram todas as coisas e por meio de quem vivemos. Contudo, nem todos têm esse conhecimento. Alguns, ainda habituados com os ídolos, comem esse alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é fraca, fica contaminada. A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos. Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem esse conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. Portanto, se aquilo que eu como leva meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.”
(1Coríntios 8.1-13)

“'Tudo é permitido', mas nem tudo convém. 'Tudo é permitido', mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros. Comam de tudo o que se vende no mercado, sem fazer perguntas por causa da consciência, pois 'do Senhor é a terra e tudo o que nela existe'. Se algum descrente o convidar para uma refeição e você quiser ir, coma de tudo o que lhe for apresentado, sem nada perguntar por causa da consciência. Mas se alguém lhe disser: 'Isto foi oferecido em sacrifício', não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros? Se participo da refeição com ação de graças, por que sou condenado por algo pelo qual dou graças a Deus? Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Não se tornem motivo de tropeço, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. Também eu procuro agradar a todos, de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos. Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”
(1Coríntios 10.23-11.1)

Aqui, Paulo se referia a um contexto específico. Entre os coríntios, era comum que a carne de animais fosse oferecida a deuses pagãos. O que sobrava, era vendido no mercado. Alguns crentes se abstinham de comprar aquela carne, porque sua consciência dizia que se o fizessem estariam pecando, devido ao fato de não acreditarem que não deveriam comer carne de sacrifícios.

Paulo esclarece que o fato de a carne ter sido sacrificada a ídolos não significava nada, pois nós sabemos que não existem ídolos, tendo em vista haver um só Deus verdadeiro.

Porém nem todos tinham esse conhecimento. Aos pobres de conhecimento Paulo chama 'fracos'. Os mais fortes como Paulo, que tinham conhecimento, deveriam, em amor aos cristãos fracos, restringir sua própria liberdade para não levar outros ao pecado.

Aqui, a Bíblia trata de questões de fé, ou seja, aquelas acerca das quais existe diferença de opinião, e não de condutas pecaminosas.

Podemos incluir neste contexto as vestes e qualquer outra atitude que não envolva o pecado propriamente dito.

Nestes casos, o princípio que deve reger a liberdade de cada um é o amor ao próximo, conforme 1 João 2.10:

“Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço.”


3 comentários:

  1. olá

    ja´add seu banner em nosso blog
    pega lá o seu ok

    abraço

    Marcelo

    Caminhando na Graça, de graça!

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  2. Caro amigo Luis Paulo

    Acesse o meu blog para apanhar o seu selo de "Grandes Pensadores da Blogsofera".

    Pensei em você, pela sua dedicação incomum em escrever e divulgar tantos textos bíblicos reflexivos, que de uma maneira especial, concorrem para nos fazer crescer em conhecimento e graça.

    Parabéns,

    Levi B. Santos

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  3. Luis Paulo, Seu banner ja está no Genizah!

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