Entendendo a provação


Diante de situações desafiadoras da vida, nos achamos muitas vezes como derrotados antes do final da história. Tudo parece conspirar contra você? Qual tem sido a sua oração?
Pregadores triunfalistas modernos têm difundido na igreja a idéia de que o cristão deve de qualquer forma levar uma vida sem sofrimento e que qualquer dificuldade na vida do cristão é culpa do diabo e do cristão que deve estar em pecado, ou talvez não tenha entregado o dízimo, ou talvez não tenha feito aquela "corrente" poderosíssima pra lhe abrir os caminhos da saúde, da prosperidade, do amor, e por aí vai.
A igreja têm se enchido por causa deste tipo de ensino de pessoas que estão fugindo das tribulações da vida, e que a cada momento se culpam por não ter fé suficiente e por isto não alcançam as bênçãos de Deus.
Estive pregando numa igreja neste final de semana, e Deus me direcionou a falar sobre oração e a vontade de Deus. Logo de cara já se deduz que não foi um culto tão barulhento como seria se o tema fosse determinação e benção, ou profetizar a vitória, enfim, parece que quando se prega a Palavra de Deus assim como ela é as pessoas de início não se agradam como seria o ideal.
Usei como base a história de Ana encontrada no livro de 1 Samuel cap. 1, onde a Bíblia diz que que "o Senhor lhe havia serrado a madre".
Se Ana vivesse nos nosso dias com certeza alguém diria a ela que fosse pedir oração para o profeta x ou y. Talvez alguém fosse determinar a bênção na vida dela ou diria que o diabo estava impedindo a felicidade dela. Alguns pregadores possivelmente diria à Ana que lhe faltava fé, por isso é que não tinha sido abençoada ainda.
A verdade é que Deus não queria que Ana engravidasse por enquanto. É incrível como pessoas que dizem ter entregado suas vidas nas mãos de Deus e professam confiança n'Ele, vivem com medo do diabo, achando que tudo que acontece de errado é culpa do inimigo.
É uma questão de lógica: se estou nas mãos de Deus, só pode acontecer comigo o que Ele quiser.
O cristão que conhece a Palavra de Deus não pede para Deus o livrar de uma luta antes de perguntar o que ele precisa aprender com isto. Sair da provação antes do tempo seria um atrofiamento espiritual.
Há quatro meses passei por algo assim. Meu filho nasceu e foi direto para a UTI e a família inteira ficou muito preocupada em especial eu e minha esposa que chorava muito por não poder levar o nosso filho pra casa e também por vê-lo dia após dia com agulhas nos braços, oxigênio, enfim, foram dias terríveis para nós.
Em meio à tanta dificuldade alguém me disse: "Luis Paulo, você deve orar à Deus e dizer que você não aceita o seu filho nesta situação, você tem que determinar a cura dele, etc."
Confesso que na hora do desespero a gente realmente pensa muita coisa errada, e até me ajoelhei com o propósito de orar desta maneira, mas logo ao iniciar a oração eu me senti mal em pronunciar estas palavras diante de Deus. Aprendi a melhor lição que poderia. Se Deus tirasse o meu filho daquele lugar no mesmo momento em que eu orasse, eu perderia a oportunidade de aprender mais d'Ele, e com certeza passaria por mais tribulações futuramente.
Minha oração naquele dia foi mais ou menos assim: "Senhor, a minha vida está em tuas mãos, assim como a vida do meu filho. Enquanto o Senhor quiser que ele esteja aqui, eu também o quero. Me ajude a aprender tudo o que o Senhor quiser me ensinar com esta situação, se quiser levá-lo, ele é seu, se quiser deixá-lo e com saúde, esta é a minha vontade, mas seja feito o que o senhor quiser...".
Este é o resumo da minha oração. Dias depois eu estava com o meu filho nos braços e seria outra pessoa se não tivesse passado por isto. A dificuldade foi um presente que Deus me deu.
A doença só pode te alcanças se Deus permitir, e é lógico que ele vai se você não se cuidar corretamente. A pobreza só vai te assolar se Deus permitir e é lógico que você será assolado por ela se não souber utilizar-se de forma correta do dinheiro.
Concluindo, faça a sua parte. Peça se quiser receber. Trabalhe se quiser dinheiro, se cuide se quiser saúde e deixa que Deus sabe muito bem o que fazer por você, para você e através de você.

Em Cristo,

Luis Paulo Silva.

Separações religiosas


Alguém ai gosta de rap?

Não me considero nenhum "mano" também não uso calças frouxas, mas admiro muito a profundidade da músicas do grupo Ao Cubo, três jovens que fazem rap pra Deus.

As músicas são recheadas de uma visão realista, às vezes críticas ao sistema religioso e expressam o amor de Deus que abrange a todos: "sua misericórdia atinge só quem se rende
Se arrependa do que fez se renda sem timidez, talvez seja a chance, a última vez".

Ontem mesmo estava meditando na história de mulher samaritana, especificamente ao fato de ela professar fé em Deus, ter desejo de adorá-lo e servi-lo mesmo estando ainda em pecado.

A pergunta que ela faz a Cristo ainda é comum nos dias de hoje na boca de milhares de vidas perdidas em meio ao disse-me-disse das instituições religiosas e dos seus líderes. Onde adorar a Deus? No monte ou no templo? A resposta do mestre deixa claro o que o livro de Samuel já dizia. Adorar a Deus não é participar deu ma reunião em um lugar sagrado. Adorar a Deus é ser um lugar sagrado dedicado à Ele. Deus disse a Samuel que não é como o homem que vê o exterior pois ele conhece o coração do homem.

O maior prejuízo que a religiosidade traz para a igreja de Cristo é a separação entre os irmãos. Na tentativa de chegar ao céu primeiro acabam sem perceber apostando corrida destino ao inferno.

Leia o trecho a música do grupo Ao Cubo e reflita:

É tanta coisa que minha alma fica tímida, cansada, fria, opaca, não brilha
Pai te peço desculpas pelo meu rosto carrancudo e por me esquecer que não sou filho único
Meu egoísmo se escondeu, não encontrei, não dividi o amor que o SENHOR Me deu com ninguém
As suas mensagens no coração aprisionei, o discurso de meus dias não foi segundo a lei

Eu estava lá no meio pra falar com os irmãos da fartura de amor que tu me destes nas mãos
E eu agi como um ator sem emoção, dentro da jaula, cara a cara com o leão...


Luis Paulo Silva.

A certeza da vitória


Quando lemos a história de Israel, se torna marcante a trajetória do rei Davi, o mais notável dos reis.
Ouvi ontem no culto de santa ceia uma mensagem sobre a atitude vencedora de Davi quando em confronto com o filisteu Golias. Os soldados de Saul estava humilhados diante dos filisteus. Não havia quem se dispusesse a lutar contra Golias, e este zombava de Israel inteiro.
Vemos na atitude de Davi algum pontos interessantes.
Interresse na glória de Deus

Amor ao serviço acima do amor à própria vida: Davi arriscava a sua vida pela obra que o seu pai lhe confiava, e estava disposto a se arriscar e não foi diferente com Golias.

Histórico de vencedor: Mesmo nas situações humilhantes Davi não esperou a platéia para mostrar o seu valor. Lá no campo se que ninguém o observasse, numa condição humilhante com relação às posições elevadas dos seus irmãos Davi mostrou o seu valor não aos homens, mas a si mesmo e a Deus. Igualmente, não devemos esperar para ter a postura correta somente em cargos destacados na congregação, a rua, o mundo é o lugar certo para quem quer ter as maiores experiências com Deus. Infelizmente, hoje as lideranças estão mais preocupadas em posicionar em lugares de destaque na igreja as pessoas que têm um melhor marketing pessoal, que falam melhor, se vestem melhor ou por apadrinhamento. Isto tem causado danos às igrejas, pois o destaque deve ser precedido pela experiência.

Coragem e confiança em Deus: Não é preciso discorrer muito sobre este aspecto da vida de Davi. A sua experiência trazia cada vez mais confiança em Deus e gerava no seu coração a coragem que ninguém mais tinha dos seus contemporâneos.

Estes pontos faziam com que Davi encarasse a batalha de forma diferente dos demais soldados e dos seus próprios irmãos que se impuseram à sua atitude. Todos estavam desfalecidos, esperando o pior e davam pouco de si. Davi mesmo sabendo que suas chances sozinho eram mínimas, esperava a vitória pois sabia que não era com a sua força que se apresentaria ao inimigo. A fé é isto. Compreender a vontade de Deus para o momento e agir de forma coerente, confiante esperando o que Deus pode fazer sem duvidar, pois a fé é a prova das coisas que não se vêem e a certeza das coisas que se esperam.


Luis Paulo Silva

O problema da crítica


Navegando pela blogosfera, observei uma coisa que me deixou pensativo. Parece que muitos irmãos se dedicam tanto em defender a Palavra ou a fé, que se esquecem de divulgar a Palavra e a fé.
Não estou dizendo que não é importante refutar os abusos, maus costumes que escandalizam o mundo, o comércio na igreja, etc. Mas penso que quando isto se torna o foco da nossa atenção na maior parte do tempo nos tornamos aptos a tropeçar nas próprias palavras pois criticar pode virar um vício. Além disto, pode este vício nos impedir de ver as coisas boas nas pessoas.
É claro que as qualidades não cobrem defeitos e maiores defeitos não justificam os menores, mas tenho certeza de que vale a pena procurar as qualidades e focar nelas e aprender com elas.
Por exemplo: Será que todos os irmãos que criticam os que vão ao monte orar oram tanto quanto estes? Podemos ver diferente; o cristão pode orar onde quiser, e se ele se sente bem no meio do mato pra clamar até ficar rouco, quem sou eu para julgá-lo? Mas se o leitor me perguntar o que penso sobre isto, direi que a igreja é o lugar mais adequado para orar, mas Deus o ouve onde quer que esteja.
O mesmo penso sobre campanhas. Ninguém pode estipular um prazo para Deus fazer algo, ou sequer exigir que ele faça algo. Mas acho louvável e coerente a atitudes de irmãos que oram durante semanas por um propósito específico, mas sem aquelas superstições de "não pode quebrar a campanha". Campanha ao meu modo de ver e na minha prática é um propósito de oração por uma necessidade específica em um lugar específico por um período de tempo específico, e pronto. Depois deste período, posso continuar orando por este motivo, mas individualmente.
Deus nos chamou para edificar e não para derrubar.
Existem pessoas que precisam ser corrigidas duramente e outras que precisam ser ensinadas, é preciso perceber isto melhor.
Quando pensar em criticar alguém, pense: O que estou fazendo para mudar esta situação? Qual é o meu objetivo, ajudar ou criticar por criticar somente?

Em Cristo,
Luis Paulo Silva.

Sobre o deus "eu"



A maioria das pessoas confessam crer em Deus. A verdade é que os ateus têm razão, deus não existe. Pelo menos este deus não.
Estes que dizem ter tanta fé em Deus e na verdade sequer conhecem a palavra dele. Conciliam esta entidade fictícia com o Deus da Bíblia sem a menor noção do dano que esta fé causa.
Jesus disse: "examinai as escrituras".
Quando conhecemos a Deus de fato, temos a impressão de que nunca nos referimos a ele em uma oração antes e também nunca antes sentimos a sua presença ou ouvimos a sua voz.
Isto ocorre por que antes de conhecê-lo nós críamos num personagem criado à nossa semelhança, com os mesmos pensamentos, mas sem limite de força, poder e conhecimento.
Veja este exemplo que é apenas uma ficção:

"Dona Maria é uma mãe coruja. Ama aos seus filhos, protege-os, defende-os somente por que são os seus filhos. Não importa o quanto estes filhos façam coisa que desagradem ao Deus da bíblia, ela sempre os ama e defende e acredita fortemente que nenhum deles merece a perdição eterna. Julio, o seu filho mais velho era alcólatra. Teve muitas namoradas, pois era muito bonito, e você sabe leitor, hoje em dia se dá beijinhos só na mamãe, com as namoradas sempre se vai mais longe, afinal que problema há em fazer sexo antes do casamento?
Júlio sempre foi um bom filho. Ajudava a sua mãe quando ia ao mercado, cuidava dela sempre que estava doente, preocupava-se muito com a sua família e venderia até a roupa do corpo se algum familiar precisasse realmente disto. Certo dia, voltando de seu trabalho, Júlio sofre um acidente numa rodovia, onde uma caminhonete desgovernada o pegou sem que pudesse prever. Júlio teve uma morte súbita. Não pôde sem encontrar com a sua mais nova namorada com quem havia conbinado ir à um motel de luxo, nem rever a sua mãe.
No dia de seu velório, a mãe chorando ouve frases como: 'ele está muito bem agora e cuidará de você" ou 'passou deste mundo para um muito melhor' ou 'onde quer que esteja, com certeza estará olhando por você'."

Dona Maria tem certeza de que seu filho morreu e foi para o céu. Ele era um bom rapaz, carinhoso, responsável e trabalhador, jamais fez mal a alguém, por isto Deus não o permitiria ir para o inferno.
Podemos pensar no deus da Dona Maria? como ele é?
Na verdade o deus que existe na cabeça da Dona Maria é uma mãezona superprotetora que tem poder de salvar o seu filho mesmo da condenação eterna. Ela alimenta este deus todos os dias quando reza à ele, e não aceita que alguém diga que Deus tem características, caráter diferentes deste deus que ela crê.
O religioso crê no próprio deus também. Geralmente é um Deus carrasco do tipo "pecoumorreu" que exalta os exaltados e humilha os humilhados. Este Deus geralmente é muito cultuado em muitas instituições religiosas e se encaixa perfeitamente nos seus estatutos e leis humanas.
De forma geral, as pessoas criam um Deus moldado aos seus costumes, pensamentos e sentimentos, enquanto os que realmente têm um encontro com Deus moldam os seus costumes, pensamentos e sentimentos pela Palavra de Deus.
Muitas pessoas estarão surpresas no dia do juízo. Vão ouvir as duras palavra do Deus que nunca quiseram conhecer: "Não vos conheço".

No dia do juízo não é o seu deus que estará te esperando, mas sim o Deus da Bíblia que você pode hoje mesmo conhecer. Vale à pena pensar nisto?


Em Cristo,

Luis Paulo Silva.