O que ninguém tira de mim - Deus e a marmita



Ouvi
nesta semana uma pessoa dizer o seguinte: que se ganhasse na loteria ou algo similar gastaria maior parte do valor com viagens. A sua opção era embasada no argumento que bens como carros, casas, móveis luxuosos ou roupas podem ser roubados de quem os possui, mas viagens não, pois elas ficam registradas, foram momentos vividos e ninguém pode arrancá-los de quem os viveu.
Eu, como cristão que sou, logo argumentei que havia sim, a possibilidade de se perder uma viagem feita. Para que esta permaneça em "posse" de alguém, ela precisa ficar guardada, armazenada na mente deste alguém. Uma leve pancada na cabeça poderia resultar em perda de memória e lá se iria a viagem tão bem guardada. Contei sobre a conhecida fala de Cristo, quando se referia ao fato de ser difícil um homem rico herdar o Reino de Deus, comparando tal possibilidade à de um camelo passar pelo fundo de uma agulha. Fora isto, ninguém consegue guardar em sua mente 100% dos fatos vividos. isto motivou o ser humano a criar a escrita, a fotografia,a videofilmagem, etc. Com relação ao camelo ainda, disse à ela que a passagem citada se referia ao esforço que faziam os camelos daquela época em entrar por uma porta estreita e baixa, onde eles precisariam se ajoelhar e deixar as suas cargas que representam não somente as riquezas, mas o ego, o orgulho, a autosuficiencia, ao que ela respondeu que isto era uma questão de crença.
Embora se tratasse de uma conversa sem objetivo, onde as pessoas falam até sem o cuidado de estarem sendo analisadas, este comentário me fez meditar em algo que nunca havia meditado antes.
Minha "viagem" começa no seguinte ponto: O segredo da descoberta estava na marmita que eu esquentava. Com uma pergunta simples, pude entender a questão da crença, ou da fé.
Os homens têm uma tendência natural à religião. O homem precisa crer em algo para se sentir espiritualmente seguro. É como uma lacuna no seu coração, como uma fome que nunca é saciada. Os muitos índios tentam superar esta crise adorando o elemento mais inalcançável que conhecem: O sol. Precisa ser algo maior do que o ser humano, algo mais poderoso e mais forte.
A Bíblia explica isto no livro de Eclesiastes 3. 11: Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a ideia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim.
A certeza de que existe Deus está no coração do homem. Enquanto ele não o conhece, vai tentando o substituir por riquezas, falsos deuses, pela idolatria, religiões falsas e tudo o mais que for possível. Quando o homem conhece a Deus, obtém um presente que o acompanhará não só nesta vida, mas durante a eternidade: a salvação da alma. Isto sim, ninguém pode roubar.
Você deve estar se perguntando: "o que isto têm a ver com a marmita???". Lá vai: A minha marmitinha existia, sim existia e eu podia apalpá-la, eu a comi todinha e limpei o potinho, mas a fome não. Não poderia me livrar da fome, pois não poderia pegá-la, assim como não posso me livrar da dor, do amor, da raiva. A marmita foi feita por causa da fome e não a fome inventada por causa da comida. Parece ridículo?
"A religião foi criada pelo homem por causa de Deus", e não "Deus foi criado pelo homem por causa da religião". Até mesmo os ateus têm a sua substituição para a religião, que é o ateísmo. Muitos homens tem defendido o ateísmo mais do que os religiosos têm defendido a religião. E no que consiste o ateísmo? Do meu ponto de vista, da necessidade de negar a Deus. Do medo de que ele seja real, pois se ele é real como os "irracionais cristãos" pensam, existe um jeito certo de se viver. A falta de disposição de andar conforme a palavra de Deus gera um forte impulso em negar a sua existência. Crer em Deus é crer em milagres, acreditar no sobrenatural, no que vai além do que a mente pode entender sem a revelação da Palavra de Deus. Se a ciência fosse suficiente para me provar que Deus existe, ele não me deixaria a sua Palavra. Deus se revela ao homem, e não um Deus que é revelado pelo homem. Deus oferece experiência pessoal com ele, logo, ela não pode ser transferida através da comunicação, quem quiser beber desta água deve ir à fonte.
Se a religião criada pelo homem é falha, o Deus que ela procura encontrar é perfeito, e não é o criador da religião, mas o criador do universo e do homem que criou a religião para amparar a sua alma (sem sucesso) e a marmita pra matar a sua fome (deu certo!).

Que esta reflexão edifique a vida de vocês.
Em Cristo, Luis Paulo Silva.