A MULHER ADÚLTERA




E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?(João 8.2-5)
Este texto narra a astúcia dos judeus que queriam surpreender a Jesus em alguma falha. Caso Jesus dissesse que a mulher deveria ser apedrejada naquele momento, não serviria como salvador dos pecados dela e não seria em nada mais nobre do que os fariseus. Se Jesus dissesse que a mulher não deveria ser apedrejada, descumpriria a lei, e poderia até ser apedrejado junto dela. Quero destacar alguns pontos que esclarecem a atitude de Jesus assim como as suas motivações ao calar cada um dos acusadores daquela mulher:
1° A Lei punia com a morte os que contra ela pecassem; Jesus veio para dar vida abundante, e mais tarde morreria pelos pecados daqueles que cressem pagando o preço justo pela desobediência. Logo não poderia Jesus dar ocasião à morte daquela mulher. (João 10.10)
2° A interpretação que Jesus fez da Lei era a correta: E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. (João 8.7)
Foi como se ele dissesse: “Concordo que ela seja apedrejada, então que se inicie com aquele que não tem pecado!” Jesus concordou com a Lei, mas aplicou-a com amor. Isto mostra também que as palavras sagradas não servem para medir os outros, mas para auto-análise. Encontra-se aqui harmonia com os seguintes textos: Lucas 6.41,42; 1° Coríntios 11.28. Não devemos nos apoiar nos pecados alheios para justificar os nossos. Alguns pecados têm conseqüências imediatas, outros não; mas todos conduzem à morte eterna igualmente.
3° A mulher recebeu uma orientação muito importante ao ser livre da morte pelo seu pecado:
E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. (João 8.10,11)
Este trecho mostra a importância das obras no processo de santificação. O não adulterar certamente não salvaria a mulher, mas se continuasse a cometer adultério com certeza tornaria evidente que seu encontro com Cristo não foi verdadeiro. Assim não dependemos de boas obras para a salvação, mas uma vez salvos, frutificamos para Deus com boas obras que o agradem. (Efésios 2.8;2.10; Mateus 5.16)
4° A mulher nada fez para merecer de Cristo a misericórdia, pelo contrário, ele seria o único digno de lançar-lhe pedras, pois nunca pecou em toda a sua vida (João 8.46; Hebreus 4.15), isto é, segundo o julgamento do próprio Jesus, ele poderia apedrejá-la, mas não o fez. Isto é a demonstração da graça de Deus. O homem só tem seus pecados, e Deus por que é bom e somente por isto, lhe dá vida por meio de seu Filho Jesus. Por isto, ao isentar a mulher da morte que lha lhe era certa, Jesus não deixou de satisfazer a Lei, pois ele mesmo se entregaria na cruz por aquele pecado também. Isto mostra que Jesus não afrontou a verdade da Lei, apenas a cumpriu no nosso lugar (Mateus 5.17).
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.(João 3.16-18)
Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito. (1 Pedro 3.18)