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O perfil do verdadeiro discípulo de Jesus.



"O discípulo não está acima do seu mestre; mas todo o que for bem instruído será como o seu mestre." (Lucas 6.40)

Jesus antes de subir ao céu, ordenou aos seus discípulos que deveriam fazer outros discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20). O cristianismo, foi gerado desta forma e cresceu desta forma, como podemos ver em diversos textos do Novo Testamento. Jesus deu exemplo de como deveria ser realizada a sua grande obra no mundo, quando iniciou seu ministério escolhendo discípulos (Mc 1.14-17) e trabalhando neles para que viessem a repetir o seu trabalho (Jo 15.16).

O texto de Lucas 6.40 foi dito pelo próprio Jesus Cristo, repreendendo aos fariseus que eram mestres, isto é, tinham discípulos aos seus cuidados, mas não estavam preparados para tal, pois cometiam os mesmos erros que eles, quando não piores, isto é, não davam bom exemplo aos seus seguidores e ainda cobravam deles que fossem perfeitos em suas condutas sendo eles mesmos transgressores da lei que ensinavam. Embora o texto em pauta tenha sido referido aos fariseus, o princípio que ele traz é válido e verdadeiro: Um discípulo não pode ser maior que seu mestre, mas se for bem instruído poderá ser ao menos igual à Ele.

Estamos todos nesta escola, onde Jesus é o nosso único mestre (Mt 23.8) e temos irmãos idôneos aos quais Deus nos confia, para que nos ajudem neste processo de aprendizado até que cheguemos a ser como Cristo; varão perfeito (Ef 4.11-13; Rm 8.29)

Veremos a seguir quatro características que Deus espera, e está pronto a conceder àqueles que foram escolhidos como discípulos de Cristo, lembrando que estamos em processo de crescimento, sendo o próprio Jesus aquele que se responsabiliza pela obra realizada em nossas vidas (Fl 1.6).

Primeira característica: Obediência imediata.

"E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens. E, deixando logo as suas redes, o seguiram." Marcos 1.17,18.

Jesus viu aos irmãos Simão e André pescando e os convidou a segui-lo. Os irmãos sabiam o que isto significava: era o convite de um mestre, que os queria ensinar coisas importantes sobre as quais eles não sabiam. Não questionaram o custo desta decisão ou impuseram condições. Apenas obedeceram ao chamado de Jesus imediatamente. Desapegaram-se de suas redes que até então representavam a sua fonte de sustento, e seguiram a Jesus prontamente. 

Deus não exige de nós apenas obediência, mas obediência agora. Não podemos postergar o momento de seguir a Cristo, de aprender mais sobre ele pela Palavra de Deus. Se Deus nos chama agora, é agora que devemos segui-lo. Não devemos nos esquecer de que certo homem ao receber o chamado divino disse ao Mestre: "Deixa que primeiro eu vá enterrar meu pai...", ao que Jesus respondeu duramente , exigindo resposta imediata (Mt 8.21).

Segunda característica: Negar-se a si mesmo.

"E, chamando a multidão com os discípulos, disse-lhes: se alguém quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser preservar a sua vida, irá perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, irá preservá-la." (Mc 8.34,35)

Jesus foi enfático ao declarar aos seus discípulos e à multidão que o seguia que a decisão de seguí-lo exigia a negação de seu próprio ego. Seguir a Cristo é colocá-lo em primeiro plano, deixando sonhos e aspirações pessoais para depois. Isto envolve a nossa oração, onde a vontade de Deus e a sua causa são buscados em primeiro lugar (Mt 6.10,33). Oração e jejum estão incluídos neste ponto, pois orar é dispensar tempo para relacionar-se com Deus, e jejuar é deixar de lado as necessidades primárias para conhecer melhor ao Senhor.

Terceira característica: Desejo de se aprofundar no conhecimento de Deus.

"E quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da Parábola." Marcos 4.10.

Ao ouvir a "Parábola do semeador", uma grande multidão se afastou de Jesus sem tê-la entendido. Alguns discípulos, mais os doze porém não se acomodaram ao ouvir algo que não compreendessem, e receberam o devido esclarecimento da parte do Mestre Jesus.

Tiago diz em sua epístola universal que Deus dá sabedoria aos que lhe pedem, sem acepção de pessoas (Tg 1.5). Deus tem mais conhecimento reservado a quem mais busca e o discípulo de Jesus não pode acomodar-se sem evoluir no conhecimento da Palavra de Deus. Que possamos dizer como o profeta Oséias: Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor (Os 6.3).

Quarta característica: Desejo de parecer-se com o seu mestre.

"Para isso fostes chamados, pois Cristo também sofreste por vós, deixando-vos exemplos, para que sigais os seus passos." 1Pedro 2.21.

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." 1 Coríntios 11.1.

"Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados." Efésios 5.1.

"O discípulo não está acima do seu mestre; mas todo o que for bem instruído será como o seu mestre." (Lucas 6.40)

Estamos todos neste processo de parecer-se cada vez ais com Jesus. Alguns á chegaram mais longe, outros estão iniciando a sua caminhada de fé, mas o importante é que estejamos todos juntos, ajudando-nos uns aos outros. Paulo pôde dizer "sede meus imitadores", mas não era uma referencia em si, pois devemos imitá-lo na forma como ele imita a Cristo.

Imitar a Cristo é identificar-se com sua vida, sofrimento, humildade, submissão, desapego, oração, amor. Ele é o nosso exemplo excelente, infalível, imutável. Paulo nos orienta pelo Espírito Santo:

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." Filipenses 2:5-8.

Conclusão

Nenhum outro texto além da Bíblia Sagrada poderia ser melhor utilizado aqui, senão "Imitação de Cristo" de Tomás de Kempis em suas primeiras palavras desta obra:

"Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida. "

Que Deus em sua infinita graça e amor nos capacite a sermos como Cristo é.