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O seu culto agrada a Deus?

O seu culto agrada a Deus? Como você pode saber se sim ou não? A minha ideia com estas perguntas é provocá-lo a pensar sobre o tema e se necessário, mudar a sua forma de cultuar a Deus. Não pretendo fazer um estudo profundo, somente algo que seja útil e que contenha bons argumentos bíblicos sobre o culto que agrada a Deus.

1.O que é o culto?

Culto significa: adoração, veneração à divindade. Em Romanos 12.1 o apóstolo Paulo fala sobre o "culto racional" que consiste em apresentar o corpo a Deus como "sacrifício vivo, santo e agradável". Somente este texto já nos dá uma excelente diretriz sobre como o culto deve ser considerado: "Sacrifício vivo" é uma referência ao culto do AT quando segundo as prescrições dadas sempre haveria de ter uma oferta de animais (Gn 4.4; 8.20; 22.13) mas no caso do culto neotestamentário nós somos os sacrifícios oferecidos a Deus, sacrifícios vivos. "Santo" demonstra a natureza separada do culto com exclusividade para Deus, não um culto com o ranço do mundo, ou híbrido com o culto a outros deuses. "Agradável" é o ponto que desejo destacar. Como saber que tipo de culto é agradável a Deus? Por que Deus exigiria um conto agradável se não houvesse a descrição clara nas Escrituras do culto que ele recebe?
O culto cristão portanto consiste em adoração a Deus. Defendo neste texto que se constitui de duas formas, que se complementam e jamais se excluem: o culto particular (aquele que prestamos a Deus individualmente) e o culto público que é a reunião dos crentes com o objetivo único de prestar adoração a Deus.

1.1 Culto no Antigo Testamento

O culto a Deus é apresentado na Bíblia logo em seus primeiros capítulo com as ofertas de Caim e Abel. Sabemos que Deus rejeitou o culto de Caim mas recebeu o de Abel. Dentre outros exemplos que poderíamos citar, vemos ordenanças para o culto no Antigo Testamento, em Êxodo 20.22-26; 25-31 onde Deus determina mínimos detalhes sobre como deveria ser levantado o tabernáculo e o uso correto de cada utensílio e compartimento dele.

Em 1 Samuel, capítulo 13 e versos 8 ao 13 vemos Saul oferecendo sacrifícios a Deus como se fosse sacerdote, e por isto foi duramente repreendido pelo profeta Samuel. Após isto, Saul oferece a Deus os animais que deveriam ser destruídos de Amalaque conforme a ordem de Deus, e é repreendido com a conhecida exortação:

"Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.
Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei". (1 Samuel 15.22,23)


Boas intenções e coração sincero são indispensáveis no culto, mas não são suficientes. É preciso oferecer o culto correto com a disposição correta.
Aprendemos logo no AT que a adoração que Deus recebe está prescrita na Palavra de Deus. Não podemos colocar em prática nossas ideias mirabolantes pois se o que apresentarmos for diferente do que está prescrito na Bíblia, teremos a nossa adoração e culto rejeitados pelo Senhor.
As duras críticas ao culto no AT podem ser encontradas em livros como Amós e Malaquias por exemplo.

1.2 Culto no Novo Testamento

No NT alguns tipos encontram significado pleno, por exemplo: Não precisamos de sacrifícios de animais para cobrir nossos pecados pois Jesus é o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29); Não necessitamos mais de templos pois a igreja é o templo de Deus (1 Co 3.16). Somos reis e sacerdotes ao serviço de Jesus (Ap 5.10). Todavia no NT o conceito de culto é mantido, não com tantos adereços como no AT mas Deus ainda espera que seu povo se reúna para o culto ao Senhor (Rom 12).

"E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia". (Hebreus 10.24,25)


2. Como deve ser o nosso culto?


No NT a Bíblia também tem orientações claras sobre o culto que agrada a Deus. Na carta de Paulo aos corintios temos ricas informações para que ofertemos um culto adequado ao Senhor:


"Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.
E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.
E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.
Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.
Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.
E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.
As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei.
E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja.
Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?
Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.
Mas, se alguém ignora isto, que ignore.
Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas.
Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.
1 Coríntios 14:26-40


Podemos extrair as seguintes lições deste texto:

2.1. O culto que Deus deseja exige ordem, decência.
Basta um acesso no YouTube e poderemos ver tantos cultos sem ordem, uma verdadeira bagunça onde cada um faz o que quer, sem lógica, sem raciocínio. A igreja em Corinto estava em situação semelhante, por isto foi admoestada por Paulo.

2.2. Foco na comunhão, edificação mútua, exercício dos dons. 
Há irmão que dizem hoje que os dons cessaram. Resolveremos esta questão em dois argumentos:
1) No texto que lemos, vemos orientações sobre o uso correto de dons espirituais, logo eles são reais;
2) Não há texto bíblico que diga que os dons irão cessar antes de que a igreja alcance a perfeição, o que se dará somente na volta de Jesus.
Logo, se a Bíblia afirma que os dons existem e foram dados por Deus, e não afirma que cessarão, os irmãos cessacionistas estão errados. Os dons existem para a edificação mútua dos membros corpo de Cristo e durarão enquanto a igreja estiver no processo de aperfeiçoamento.

2.3. Ética no exercício dos dons no culto público.
Embora haja a necessidade da operação de dons espirituais nos cultos, tudo é feito conforme o princípio estabelecido, ordem. Profecias devem ser julgadas conforme o crivo da Palavra para que sejam dadas como verdadeiras ou não, línguas devem ser interpretadas, e os falantes devem se manifestar um de cada vez. Em igrejas pentecostais vemos muitas ocasiões na quais durante um louvor, o Espírito Santo toca crentes e estes começam a falar em línguas, todos juntos. Seria isto errado? Do meu ponto de vista não. Isto por que o momento é dedicado à adoração, então assim como alguém pode expressar palavras de adoração a Deus com o entendimento, não vejo problemas que sejam faladas línguas desconhecidas também já que é um momento de adoração. No momento da pregação da Palavra, então devem todos ficar atentos ao que Deus diz por meio dela, assim como em momentos nos quais Deus der mensagens proféticas a algum crente.


2.4. Movimentos no culto edificam?

É comum vermos os tais movimentos conhecidos como "reteté" onde os crentes rodam, pulam, gritam, dançam, sem qualquer senso de ordem, parecendo verdadeiros loucos. A Bíblia tem algum princípio claro para normatizarmos sobre isto? Sim! Veja o que diz o apóstolo Paulo:



Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 
E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;
E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. 
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. (
1 Coríntios 12:4-11)

"...a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil"
Para sabermos se determinada manifestação no culto provém de Deus, temos de pensar na utilidade de tal ação. Pergunte-se: Rodopiar, pular, gritarias, pessoas se jogando no chão, são coisas que edificam a igreja? Não vejo edificação nestas coisas.
O texto que citamos primeiro informa de onde devem partir as manifestações no culto: "do Espírito" e quais são estas manifestações? "palavra da sabedoria", "palavra da ciência", "a fé", "dons de curar", "operação de maravilhas", "profecia", "dom de discernir os espíritos", "variedade de línguas" e "interpretação das línguas". Estas manifestações podem ser dadas pelo Espírito Santo, como e quando ele quiser. Todas estas coisas edificam ao corpo de Cristo, portando devem ser buscadas enquanto rejeitamos todo movimento estranho.


2.5. O culto deve ser feito em oração

A oração sem dúvida é uma parte muito especial do culto ao Senhor. Antigamente era comum os crentes iniciarem o culto de joelhos buscando a Deus em oração. Hoje o que temos na maioria da igrejas é apenas uma rápida e melosa oração inicial, enquanto se gasta a maior parte do culto em louvores.
Precisamos voltar ao hábito da oração. A igreja primitiva se fortalecia por meio da oração (At 4.24-31), reuniam-se para orar por suas necessidades (At 12.12), decidiam pela orientação do Espírito em oração (At 13.3; 14.23).  


2.6. O culto deve incluir o louvor a Deus.

O louvor no culto é outra área que tem sido muito distorcida. Louvores aos homens têm sido entoados pelos crentes, onde Deus é um meio para se alcançar o sucesso, e não o centro. "Deus dá asas, faz teu voo..." é o que diz certa musica que era entoada em muitas igrejas Brasil afora. 
O objetivo do louvor no culto é promover adoração a Deus. O louvor na sua congregação promove adoração ou diversão? Certa vez vi num culto pessoas contando "eu fui no terreno do inimigo e tomei tudo o que me roubou", aos pulos, combinando passinhos, um excelente entretenimento mas será que Deus recebe diversão ou adoração? O momento do louvor tem transformado muitas igrejas em casas de shows com direito a pisca-pica, globo, refletores e tudo mais. Isto não é adoração. Veja o que diz a Palavra de Deus:

"Eu odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras." (Amós 5.21-23)

Se o louvor no culto é para Deus, devemos nos atentar em oferecer louvores bíblicos, que falem da glória de Deus e sempre nos perguntando: Esta letra fala de Deus ou do homem? Este ritmo ofusca a mensagem ou corrobora com ela? Este ritmo produzirá diversão ao invés de quebrantamento e adoração?
A dança também tem sido parte da adoração em muitas igrejas mas como não é uma prática ordenada para o culto, devemos rejeitá-la. Alguns argumentam que Miriã dançou, que Davi dançou, e que o povo na época de Jesus dançava. Sim, mas nunca isto foi ordenado no culto. Não estou afirmando que dançar é pecado mas que incluir a dança no culto é contrário ao princípio da obediência no culto.


2.7. A pregação da Palavra de Deus e a direção do culto público.

Na oração nós falamos a Deus, nos louvores o adoramos mas na pregação Deus fala a nós. A pregação deve ser a exposição do texto sagrado, e não a apresentação dos pontos de vista do pregador.
Certa vez ouvi um excelente pregador dizer: "pregue a Palavra e não sobre a Palavra". O apostolo Paulo escrevendo ao seu filho na fé, Timóteo diz: "...Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina". (2 Tim 4.2)
A pregação tem sio substituída por testemunhos, peças teatrais e até stand up comedy! Nada disto porém tem tanto valor quanto a verdadeira pregação da Palavra de Deus.

Quem deve aplicar os conceitos bíblicos na direção do culto? Com certeza alguém constituído por Deus para tal ofício. A igreja conta com pastores, presbíteros, anciãos, com a função de estar diante do povo de Deus na direção do culto ao Senhor e na ministração da sua Palavra.
As qualificações do obreiro aprovado por Deus para estar diante da igreja, aplicando os princípios da Palavra de Deus estão presentes nos seguintes escritos do Paulo:

"Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? ) ; Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo". (Timóteo 3:2-7)

"Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." (Tito 1:6-9)

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". (1 Tim 2.15)

A  direção do culto deve estar na responsabilidade de obreiros devidamente reconhecidos pela igreja. Estes devem ser homens, íntegros, espirituais, e fiéis a Deus. O testemunho é de grande valor pois imagine que alguém visite sua congregação e veja atuando ou dirigindo o culto alguém de quem a má conduta seja conhecida! Isto com certeza mancharia a imagem de toda a igreja, portanto deve-se ter muito cuidado ao se colocar alguém na direção do culto, para que só esteja nesta posição aqueles que preencham estes requisitos.


Conclusão

O objetivo deste breve estudo é tratar de forma superficial cada aspecto do culto a Deus, pois isto não me aprofundei de mais em todos eles, demandaria muito tempo e o texto ficaria muito longo. Também não falei sobre a ceia do Senhor nem sobre o batismo pois creio que estes devam ser tratados com muito mais cuidado e profundidade. Peço ao leitor que confira em sua Bíblia cada citação, e que reflita em oração sobre a importância de se prestar um culto agradável ao Senhor.


SDG

Ministério pastoral é para mulheres?





O debate sobre o ministério pastoral da mulher é atual e relevante para a igreja cristã. Qual é a relevância? Se é o Senhor quem dá à igreja os seus dons ministeriais, ficamos diante de duas situações: Se reprovarmos o pastorado feminino e ele for bíblico, pecamos; se aprovamos o ministério pastoral feminino e a Palavra de Deus não ordena tal coisa, também pecamos. Precisamos descobrir o que a Bíblia fala a este respeito.


Fiz uma outra postagem sobre uma troca de mensagens que tive com um certo pastor que apoia o ministério pastoral feminino. Além deste evento, com o passar do tempo discuti este assunto em diversas ocasiões e em meio aos ataques e defesas, observei um fato muito interessante: Aqueles que defendem o ministério pastoral feminino trazem alguns argumentos dentre os quais posso destacar: primeiro, o argumento sociológico (a posição da mulher nos tempos atuais); segundo, o argumento sobre a cultura da época (a Bíblia não apoia devido à cultura da época); terceiro, apelam ao pragmatismo (se funciona, é certo) e por fim, em quarto lugar, apresentam textos bíblicos que demonstram as atividades femininas nas cartas paulinas e nos evangelhos para provar que é correto ordenar mulheres ao ministério pastoral.


Gostaria de apresentar as refutações a cada um destes argumentos e às interpretações errôneas dos textos usados para defesa do ministério pastoral feminino, tendo como premissa que Palavra de Deus é suficiente para nos dar respostas e nossa única regra de fé e prática, e por isto permaneço aberto às refutações desde que sejam bíblicas.


Para evitar que eu seja entendido erroneamente, gostaria de deixar muito claro que:


1° As mulheres têm papéis indispensáveis na igreja (são citadas frequentemente nos evangelhos e cartas paulinas);


2° As mulheres não só podem mas devem ser propagadoras do Evangelho de Cristo (isto é papel de todo crente, ordenado ao ministério ou não, homem ou mulher).


Este artigo será dividido em três partes principais: Refutações aos argumentos mais utilizados em defesa do ministério pastoral feminino; Refutações aos textos bíblicos utilizados em defesa do ministério pastoral feminino e por último, Textos bíblicos que descartam a possibilidade de liderança feminina.


Refutações aos argumentos mais utilizados em defesa do ministério pastoral feminino:


O argumento sociológico: "As mulheres ocupam lugares de destaque hoje nas empresas e até no governo! Elas são vistas como seres humanos iguais aos homens e tão capazes quanto eles de realizarem qualquer tarefa. Você não teve uma professora na faculdade? Nunca teve uma chefe no trabalho? Por que não pode então a mulher se uma pastora?"

Resposta: A Palavra de Deus não faz afirmações sobre como empresas devem funcionar, se é melhor promover uma pessoa do sexo masculino ou feminino aos cargos de gestão. Se uma mulher é mais competente do que um homem, ela deve ter prioridade dada a sua capacidade superior aos demais inclusive de outras mulheres, normalmente fruto de esforço pessoal. Se numa democracia o povo elege uma mulher para tomar a liderança de um país, assim deve ser e Deus não tem prescrições em sua Palavra sobre estes detalhes seculares. Quando tratamos de ministério eclesiástico, por outro lado, temos orientações claras e precisas na Bíblia sobre quem deve ser ordenado, as qualidades necessárias, e um destes requisitos é se seja um homem, não qualquer homem, mas um homem vocacionado e devidamente capacitado para a obra e de bom testemunho.
Há uma ordem natural declarada na carta de Paulo "Deus é o cabeça de Cristo, Cristo do homem e o homem da mulher" (1 Co 11.3). Assim como o fato de Deus ser o cabeça de Cristo não faz do Filho inferior ao Pai, assim também a mulher não é inferior ao homem, a distinção é hierárquica apenas.

O argumento cultural: "Na época de Paulo, as mulheres nem eram alfabetizadas! Paulo poderia ter ordenado mulheres sem problema algum se a sociedade daquela época não visse as mulheres como meros objetos dos homens."

Resposta: Jesus não se preocupou em quebrar paradigmas culturais da sociedade de seu tempo. Relacionou-se com samaritanos, manteve contato com mulheres pecadoras, publicanos, escolheu homens simples que em nada impressionavam por suas qualificações, Jesus não precisava da aprovação da sociedade para escolher seus seguidores, se quisesse escolher mulheres para compor o colégio apostólico, poderia ter feito. Dizer que Paulo escreveu suas orientações proibindo a mulher de exercer autoridade na igreja por que isto era coerente com a cultura da época, abre precedentes inclusive para aceitação e ordenação de homossexuais nas igrejas cristãs, afinal, se é verdade que ele escreveu o que escreveu por causa da cultura da época, quem pode negar que as afirmações nas epístolas à respeito da homossexualidade também não o foram pelo mesmo motivo. Se achamos argumentos para defender a ordenação feminina, o mesmo princípio nos obriga a ordenar homossexuais.

O argumento pragmático: "As mulheres vão aos lugares que os homens não têm coragem de ir! Eu conheço uma pastora que é muito usada por Deus, como Deus a usa se ele não concorda com a ordenação de mulheres? Paulo era um machista!!!"

Resposta: No Éden, Deus colocou Adão e Eva, Adão como líder e Eva como sua ajudadora. No dilúvio, Deus falou com Noé, que era o líder de sua casa e não com sua esposa. Ao formar um povo que o buscasse, chamou Abraão, incluiu Sara na promessa mas tratava diretamente com Abraão que era o líder. Ao formar as tribo de Israel e não a filha, Deus escolheu os filhos homens de Jacó para serem líderes de suas tribos. Ao libertar o seu povo do Egito usou Moisés e Arão seu irmão para liderar o povo, separou a tribo de Levi para o sacerdócio e os sacerdotes eram sempre homens. Dos profetas levantados por Deus com palavras de correção para o povo ficaram registrados para nós no cânon os profetas maiores e menores, todos homens. Ao descer do céu e tomar forma humana, o Criador tornou-se homem, nos ensinou a orar ao Pai e não à mãe. Escolheu doze apóstolos, e quando Judas deixou o seu apostolado havia duas opções masculinas, dos quais Matias foi escolhido, ao chamar outro apóstolo, escolheu Paulo que era homem e que ensinou de acordo com a inspiração divina do Espírito Santo sobre os requisitos necessários para os que fossem escolhidos para líderes da igrejas que deveriam ser homens capacitados e que governassem bem as suas casas. João escreve cartas às sete igrejas da Ásia Menor, todos homens. Quem era machista? Paulo? O Espírito Santo que o inspirou? O Pai ou o Filho?
Vemos na Bíblia Deus se utilizando de mulheres, crianças, jovens, e até uma jumenta para realizar a sua vontade! Mas será que este é o ideal?
"Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres dominam sobre ele; ah, povo meu! Os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas". Isaías 3.12


Refutações aos textos bíblicos utilizados em defesa do ministério pastoral feminino


Êxodo 15.20 “A profetisa Míriam, que era irmã de Arão...”
2Rs 22.14 “Então, os sacerdotes... foram ter com a profetisa Hulda.”
Ne 6.14 “... profetisa Noadia e dos mais profetas ...”
Lc 2.36 “Havia uma profetisa, chamada Ana...”
At 21.9 “Ele tinha quatro filhas solteiras que profetizavam.”

Profetas não eram dons de liderança para o povo. Eram levantados por Deus para proclamar a Palavra de Deus em tempos de rebeldia do povo de Israel e Judá, como Hulda por exemplo. Ana chamada de profetiza ainda está no contexto da antiga aliança. Ana estava no templo, mas não era sacerdotisa, os sacerdotes eram a autoridade constituída por Deus. Ana poderia compartilhar com os seus conterrâneos a palavra de Deus mas não há informação alguma de que exercia alguma autoridade sobre eles. Em Atos 21.9 fala sobre irmãs que profetizavam. O ministério profético conforme havia no AT encerrou-se com João Batisa (cf. Lc 16.16). As profecias no NT não dependiam de uma ordenação especial pois tratavam-se normalmente de predições (Atos 11.28), que estavam sujeitas ao julgamento da igreja pois não eram autoridade incontestável, Paulo até falou que as mulheres para profetizar na igreja deveriam cobrir a cabeça como sinal submissão (1 Co 11.5). Diante do exposto, será correto afirmar que as profecias verbalizadas por mulheres no NT é um bom argumento para a liderança feminina na igreja, se ao fazer isto a orientação era que cobrissem a cabeça como declaração de submissão?

Juízes 4.4 “Débora, mulher de Lapidote, era profetisa, julgava a Israel naquele tempo...”

Débora era juíza de Israel como diz o texto. Seria este um texto que demonstra a aprovação de Deus à ordenação feminina ao ministério pastoral?
A leitura do texto a seguir pode trazer luz a isto: "E disse ela: Certamente irei contigo, porém não será tua a honra da jornada que empreenderes; pois à mão de uma mulher o Senhor venderá a Sísera. E Débora se levantou, e partiu com Baraque para Quedes". (Juízes 4:9)
Analisemos que diante de uma batalha, Deus ordena que Baraque lidere a guerra, e o que ele faz? Mostra-se covarde. Mesmo para Débora que era juíza, era uma vergonha, um exercito lutar tendo à sua frente um mulher. Será que havia um homem corajoso para liderar o povo? Certamente não. Deus não deixará de cumprir seus desígnios por que alguém se tornou frouxo, mas certamente para cada mulher à frente da obra de Deus, há um ou mais homens se recusando a fazer o que Deus lhes mandou, e darão conta disto.

João 4. 27-29 “Naquele momento chegaram os seus discípulos e ficaram admirados, pois ele estava conversando com uma mulher... Em seguida, a mulher deixou ali o seu pote, voltou até a cidade e disse a todas as pessoas: Venham ver o homem que disse tudo o que eu tenho feito. Será que ele é o Messias?”

Este texto mostra uma mulher anunciando Jesus em Samaria. Ninguém precisa ser ordenado ao ministério para pregar o Evangelho e convidar pessoas para que conheçam ao Salvador pois este é o dever de todo crente, e não só de pastores ou evangelistas.

Romanos 16.1-6 “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive. Saudai Priscila e Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios; saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles. Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo. Saudai Maria, que muito trabalhou por vós.”

Filipenses 4.3 “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho. Os nomes deles estão no Livro da Vida, que pertence a Deus.”

Este texto claramente demonstra que as mulheres eram ativas na cooperadoras, e que se esforçavam para o bem estar da obra de Deus. Seria um excelente texto para citar caso a questão fosse "a mulher deve fazer o seu papel de cristãs ou não?" mas a questão não é esta. Como já afirmei há tarefas que são comuns a todos os crentes, homens ou mulheres, a saber: a pregação do evangelho ao pecador, o serviço de ajuda financeira e de outras naturezas aos que se afadigam na obra,etc.


Textos bíblicos que descartam a ordenação de liderança feminina


A Bíblia revela a vontade de Deus a respeito das qualificações da liderança da igreja? Com certeza sim e para isto leremos os texto de 1 Timóteo 3.2-7 e Tito 1.6-9 para depois compará-los com textos prescritivos a respeito do papel da mulher no lar e também na igreja em 1 Timóteo 2.11;

"Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? ) ; Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.
Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo". (Timóteo 3:2-7)

"Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." (Tito 1:6-9)

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão."(1 Timóteo 2.11)

"Marido de uma só mulher"
Este texto refere-se a proibição da poligamia numa sociedade onde ainda havia esta prática entre aqueles que se achegavam à fé. Se houvesse pastoras nas igreja primitivas, Paulo poderia ter usado termos genéricos como "casados com uma só pessoa", mas a sua orientação pressupõe que está falando de igrejas que possuem lideranças do gênero masculino.

"Que governe bem a sua própria casa... se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?"
A liderança da igreja deve ser precedida pela liderança no lar. É claro que excetua-se o pastor que como Paulo e Timóteo seja solteiro pois neste caso há ausência de uma família que lhe seja submissa, mas quando uma mulher torna-se pastora, como poderá cumprir este requisito?

"Não permito, porém que a mulher ensine"

Não há outra forma de interpretar o que Paulo diz aqui. Alguém pode não concordar com ele, mas não poderá dizer que Paulo pretendia dizer algo diferente. O motivo por que Paulo faz esta proibição é declarado, não se trata de cultura, nem de machismo mas "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher", isto é, por causa da ordem na criação, por que Deus deu à mulher o ofício de ser ajudadora do homem e por causa da queda, pois à mulher foi dito que "o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3.16).

"nem use de autoridade sobre o marido"

A mulher deve submeter-se à autoridade do seu esposo assim como a igreja está sujeita a Jesus. Com o advento do feminismo e sua influência na igreja, algumas pessoas passam a interpretar que a mulher não é submissa ao marido, mas à missão dada ao marido, igualando assim a autoridade de ambos (vi certa vez uma líder se senhoras dizer isto no púlpito). A verdade é que a esposa é ajudadora do marido e submissa a ele, sim a ele e não à missão dada a ele, assim como a igreja se submete ao Senhor. "De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos." (Ef 5.24).
Será possível ordenar uma mulher ao ministério e o ministro deve governar a sua própria casa, e a mulher não tem autoridade para tal? Poderíamos repetir a fala de Paulo "se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?".

Conclusão

Há outros textos que poderiam ser citados aqui, mas creio que o que foi exposto já serve de esclarecimento para quem ainda tenha dúvidas sobre isto.
A mulher tem liberdade para ensinar outras mulheres (Tito 2.3-5) pode profetizar se impulsionada pelo Espírito Santo, como vimos alguns exemplos acima e também em (1 Co 11.5-6) e tem para Deus tanto valor quanto o homem (Gálatas 3.29). As diferenças são apenas de funções, e não de valor. Sei que há muitas mulheres no ministério pastoral e do ensino, e não posso afirmar que estão no erro, pois como vimos, Deus pode usar quem quiser para o cumprimento dos seus propósitos mas estou convencido de que estas são exceções à regra, e de caráter provisório.

SDG

Como aquela pecadora se aproximou de Jesus


Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. 
Lucas 7:37,38 


Nos tempos do Novo Testamento, era honroso para um judeu ter um rabino em sua casa. Um fariseu convida a Jesus para que vá ao banquete que lhe foi preparado. Uma mulher entra nesta reunião, aproxima-se de Jesus com um vaso cheio de unguento, prostra-se aos seus pés e começa a beija-los incessantemente, enfrentando os julgamentos, preconceitos, e paradigmas culturais, já que ela não tinha boa fama, poderia ser uma prostituta ou ter algum problema moral sério, está com seus cabelos expostos o que deveria ser uma desonra para ela, ousadamente toca ao mestre, num contexto onde os rabinos sequer cumprimentavam as mulheres nas ruas.
A maioria prefere ficar olhando de longe, pois aproximar-se de Jesus é colocar-se em risco. Os pecados são expostos, pela santidade de Cristo que nos constrange a mudar, e pelos julgamentos dos homens.
O unguento era envasado num recipiente de alabastro, uma pedra moldada como um vaso, com um gargalo que devia ser quebrado para que o perfume pudesse ser utilizado. Uma vez quebrado, o vaso não serviria mais para tal, pois não poderia se fechar. Aquela mulher não quebrou apenas o seu vaso, mas quebrantou o seu coração diante de Jesus.
Podemos extrair algumas lições deste relato de Lucas: 
Primeira lição: Seja ousado ao aproximar-se de Cristo em quebrantamento. Não permita que alguém esteja entre você e ele. Jesus está à espera de pecadores arrependidos e quebrantados, os homens fecham as portas, presumem saber o que Deus deve fazer ao seu respeito pensam que sabem qual deveria ser a opinião dele sobre você, mas invariavelmente ele nos surpreende correspondendo aos atos de entrega de um coração sincero. Não há justificativa para star longe de Cristo. As pessoas culpam a religião e os religiosos por sua falta de iniciativa dizendo "estive decepcionado com uma igreja" ou "estive decepcionado com tal líder". O fato de religiões e pessoas serem formalistas, julgadoras, cruéis e hipócritas não muda o fato de que Jesus veio buscar o que se havia perdido e para os enfermos, não para os sãos. Jesus desceu a nós, por causa de pecadores como você e eu, portanto encontre-o no quarto em sua oração particular, na leitura da Palavra de Deus e com certeza ele te dará a direção certa para encontrar pessoas amorosas e comprometidas com ele, que te ajudem a crescer na fé.
Segunda lição: Deixe que ele resolva as críticas. A mulher não precisou defender-se de seu acusador. Jesus é o nosso advogado à direita de Deus, ele não precisa que nos pronunciemos para fazer uma boa defesa. O seu argumento diante do Pai é indestrutível, plenamente aceitável, ele morreu por nós carregando o peso dos nossos pecados, portanto quando nos chegamos a ele podemos ter a certeza de que ele mesmo já levou os nossos pecados em seu corpo sobre a cruz. Nenhum pecador que toca em Jesus permanece como antes. Uma pessoa comum era considerada imunda ao tocar um leproso, um esquife, um defunto ou uma mulher durante e alguns dias após o fluxo de sua menstruação mas Jesus em todos este casos nunca ficou impuro, pelo contrário, os enfermos eram curados e os mortos ressuscitados.
Terceira lição: Tenha uma noção clara não só de quem é Jesus mas também de quem é você, e do tamanho de sua dívida. Jesus explica ao julgador fariseu que aquele que é perdoado de uma maior dívida, se torna mais grato, logo, consciente de seus pecados aquela mulher demonstra muito amor ao mestre. A nosso atitude de gratidão com relação a Cristo é proporcional à nossa percepção de nossos próprios pecados. 
Com certeza Jesus não quis dizer que aquele fariseu tinha menos que agradecer do que aquela mulher. A Bíblia nos ensina que todos pecaram, veja o que diz Isaías 64.6 na NVI:
"Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe." Isaías 64.6
Saiba mesmo os mais religiosos, mesmo aqueles que são considerados boas pessoas são injustos pecadores diante de Deus e precisam igualmente do seu perdão e misericórdia. Se os nossos atos de justiça, boas ações são abomináveis quando comparadas com a santidade de Deus, imagine os nossos pecados, por menores que pareçam!
A diferença entre o fariseu e a mulher não era o tamanho dos pecados ou a quantidade deles mas que a mulher reconhecia os seus pecados e o fariseu não. Quando entendemos o quanto Jesus é santo, e o quanto somos pecadores, temos a atitude correta diante dele, isto é o que ele espera.

Conclusão

Com quem você tem se parecido mais diante de Jesus? Com a mulher pecadora ou com o fariseu religioso? Deixemos que as palavras de Jesus concluam a nossa reflexão:

Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: "Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés.
Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés. 
Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama". 
Então Jesus disse a ela: "Seus pecados estão perdoados". 
Os outros convidados começaram a perguntar: "Quem é este que até perdoa pecados? " 
Jesus disse à mulher: "Sua fé a salvou; vá em paz". Lucas 7:44-50 


SDG

O que acontece após a morte?



Muitos têm discutido hoje se ao morrer o ser humano permanece consciente em sua alma ou não. Os Adventistas do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová, por exemplo, creem que ao morrer o homem não tem mais consciência, tampouco é levado ao céu nem ao inferno, mas sepultado, fica aguardando o dia da ressurreição.

Nós cremos que ao morrer estaremos com Cristo em nossas almas e espíritos, mas não num estado definitivo, pois só na ressurreição do arrebatamento é que teremos corpo, alma, e espírito transformados num corpo glorificado semelhante ao de Cristo Jesus (1 Tess 4.13-17; 1 Co 15.35-55).

O livro de Eclesiastes, por exemplo, é cheio de citações dizendo que findando a vida aqui na terra, não há mais nada a ser feito (Eclesiastes 9.10). É importante lembrar que o livro de Eclesiastes se trata de um homem filosofando sobre tudo o que “viu” e “debaixo do sol”. O livro trata do homem neste contexto apenas, terreno. Podemos compreender as suas declarações sem problema algum, colocando-as dentro do contexto de tudo o que a Bíblia diz sobre o assunto.

São muitos os textos da Bíblia que tratam sobre a alma, e vários deles diferem no significado da palavra. Por isto não podemos dar a alma uma só definição (sangue, vida, intelecto), pois em outros textos, o termo acabaria por não ter sentido nenhum. Veja estes textos extraídos da Bíblia Sagrada:

“Da comunidade dos que creram o coração era um, e a alma, uma, e nenhum deles dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas tudo entre eles era comum.” Atos 4.32.

Observe que não se aplica aqui nenhuma das definições dadas em outros textos da Bíblia, isto é, sangue, etc. Aqui diz que o propósito deles era o mesmo e que havia solidariedade uns para com os outros, a “alma” deles era uma, assim como o “coração”.

“As vossas luas novas e as vossas festas fixas a minha alma as aborrece...” Isaías 1.14

Aqui este texto se refere a Deus que esta descontente com a procedência do povo de Israel, Deus tem sangue? A vida de Deus é como a nossa? Não. Assim também, temos “alma” como sede do intelecto.

Temos textos que nos apresentam a alma referindo-se ao indivíduo integralmente:“Todas as almas que saíram da coxa de Jacó eram setenta.” Êxodo 1.5. Observe que “almas” neste texto pode muito bem ser substituído por “pessoas” sem ferir em nada o significado do texto.

A Bíblia ensina que o homem é composto de três partes distintas: corpo, alma, e espírito. Veja nos textos a seguir:

“O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados completos, irrepreensíveis, para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”.1 Tessalonicenses 5.23.

“Pois a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, que penetra a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e pronta para discernir as disposições e pensamentos do coração.”. Hebreus 4.12.

Nesta passagem vemos claramente: alma, espírito e corpo representado por juntas e medulas.

Ao morrermos, o nosso corpo se transforma em pó e aguarda a ressurreição, já o nosso espírito e alma permanecem com a mesma consciência fora do corpo.

Analise os textos a seguir:

“Morreu o mendigo e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e Abraão e Lazaro no seu seio." Lucas 16.19.22-23.

Este texto é erroneamente interpretado como parábola. A pergunta é: onde está escrito que se trata de uma parábola? Jesus em momento nenhum dá a entender que seja, pelo contrário, esta passagem se difere das parábolas na sua construção, e mesmo se fosse uma parábola, pergunte-se: Jesus se utilizaria de uma mentira para ilustrar uma verdade?

Segundo a tradição judaica, havia no Hades uma divisão onde de um lado ficavam os fiéis a Deus em descanso, e do outro, os infiéis em tormentos, daí o motivo de Jesus proferir este ocorrido como o fez. Após a morte de Jesus, os santos do antigo testamento foram levados por Cristo ao céu, para onde todos os santos vão, após a morte e antes da ressurreição. (Ef 4.8-10; 1Pd 3.18-20; Jo 14.1-3).

De qualquer forma, não podemos utilizar apenas um texto para compreender uma doutrina tão importante para nós. Vejamos outras citações da Bíblia:

“Estendeu-se sobre o menino três vezes, e clamou a Jeová, e disse: Ó Jeová, meu Deus, faze que a alma deste menino torne a entrar nele. Jeová ouviu a voz de Elias, e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.”

Compare os textos e veja que aqui, a alma é a mesma que lemos em Hebreus 4.12 e 1 Tessalonicenses 5.23. Não é apresentada como o intelecto, nem como o ser como um todo, mas como o que é em essência: a parte indestrutível do homem que resiste à morte do corpo.

Continuando com o nosso raciocínio com base nas escrituras, temos ainda um texto interessante e indispensável a este estudo:

“Não temais aos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer na Geena tanto a alma como o corpo.” Mateus 10.28.

“Digo-vos amigos meus, não temais aos que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Mas eu vos mostrarei a quem temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar-vos na Geena” Lucas 12.4-5.

"Geena" é uma palavra que se traduz “inferno” em outras traduções. O texto diz que após a morte do homem, Deus pode lança-lo no inferno. Como seria isto possível se ao morrer o homem deixasse de existir? O texto diz que o homem pode matar o corpo, mas não a alma, isto é, após a morte do corpo a alma continua viva, e só Deus tem poder sobre ela.

“... Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas se o viver na carne resultar em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Porém de ambos os lados estou em aperto, por que tenho o desejo de partir e estar com Cristo, pois é muitíssimo melhor; mas o permanecer na carne é necessário por vossa causa.” Filipenses 1.20-24.

“Temos, portanto, sempre bom ânimo e sabemos que, enquanto estamos presentes no corpo, estamos ausentes do Senhor (por que andamos por fé, e não por visão); temos bom ânimo, digo, e antes queremos estar ausentes do corpo, e presentes com o Senhor.” 2 Coríntios 5.6-8.

Paulo diz aos cristãos destas cidades que estando no corpo(com eles) estaria ausente de Cristo, mas estando fora do corpo, estaria já com Cristo.

Em Apocalipse 6.10-11 lemos sobre as almas que clamam por justiça debaixo do altar de Deus. Alguns teólogos comparam este texto com Gênesis 4.10, mas basta ler com calma os dois textos dentro do contexto de cada um para se perceber que são duas situações completamente diferentes.

A Deus toda a Glória!


LPS

Comer de Cristo: Uma dieta para a vida eterna. João 6.48.58



Eu sou o pão da vida.

Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.
Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.
Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?
Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.





Jesus encontra-se com uma multidão afoita que o buscava desde o dia anterior. Este episódio sucede dois eventos muito marcantes do ministério de Cristo: uma multiplicação de pães e peixes, quando com apenas cinco pães e dois peixes ele alimentou aos mais de cinco mil presentes, e depois quando foi encontrar os seus discípulos em meio à uma tempestade, andando sobre as águas. 

A multidão queria mais comida, a achava que um homem que pode fazer tanto com tão pouco deveria ser rei para resolver todos os problemas da sociedade de então. A motivação da busca a Cristo era carnal, mundana, secular.

Jesus afirma figuradamente que é o Pão da Vida, e que este pão é sua carne e sangue que devem ser “comidos” por qualquer que queira ter vida eterna. Ele sugere uma mudança de motivação. Ele é o pão vivo, o pão da vida, e crer nele é alimentar-se deste pão. Alimentar-se de Cristo significa comer dele mesmo, e não do que ele oferece, é buscar a ele mesmo e não as coisas que ele pode nos dar neste plano físico. 

Tanto na época de Jesus quanto hoje,o pão representa a fonte de nutrição do corpo, sustento, manutenção da vida, e quando comemos do pão, o nosso organismo o absorve e seus nutrientes tornam-se parte de nós. Ao comer o pão da vida, Jesus está em nós e nós nele, a própria vida de Deus esta em nós.

A expressão que Jesus usa traz escândalo aos judeus. Não é correto pela lei, tradição e cultura judaica comer carne humana, beber sangue, mesmo uma figura de linguagem que se utilize destes termos é inadequada.

Compreendemos porém que buscar a Jesus e dele se alimentar é o mais nobre objetivo da vida de um homem, ao invés de gastar toda a nossa vida em coisas que aqui mesmo serão descartadas e que não têm proveito permanente, podemos ir à busca de Cristo e receber dele vida eterna.

Encontramos no texto de referência pelo menos três motivos pelos quais podemos escolher o pão celeste (Cristo) ao invés do pão terreno, obedecendo ao mandamento de Cristo: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna...".

Em primeiro lugar, a qualidade do pão celeste, Jesus que é superior em tudo ao pão terreno. Jesus disse: "Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu pai vos dá o verdadeiro pão do céu" (João 6.32). Quando Jesus diz que o pão terreno perece, faz referência ao fato de o pão ter um prazo de validade, o próprio maná que vinha milagrosamente ao povo "do céu", deveria ser consumido no mesmo dia pois se ficasse alguma sobra já não serviria mais. O maná era o tipo, Cristo, a realidade. Enquanto o maná como qualquer pão comum mantinha nutrido o corpo provisoriamente, mantendo a mesma vida, Jesus sendo o verdadeiro pão do céu dá uma vida superior àqueles que o buscam, vida eterna. Já disse certo puritano que "a vida do corpo é a alma, a vida da alma é a fé, e a vida da fé é Cristo". Jesus é a fonte de vida espiritual, ele é a própria vida de Deus em nós.

Em segundo lugar, há muito de Cristo para todos! Não se esgotará o pão da vida para todos os que o buscam. A garantia nos é dada no versículo 35: "aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede". Ele garante que nunca estaremos desprovidos deste pão enquanto estivermos buscando a ele! No reino de Deus pode haver pessoas pobres, humildes, de vida simples, e muitos cristãos ao redor do mundo podem até padecer por certo tempo de fome do pão terreno, mas sempre têm o pão celeste em fartura, e alimentam suas almas com ele. 

Em terceiro lugar, podemos ir a Jesus, nos alimentar dele por que temos certeza de que nunca seremos rejeitados ao buscá-lo. Quando vamos a Cristo, é o Pai quem nos conduz e ele nos recebe como enviados do Pai, e jamais nos lançará de sua presença! Lemos no verso 37: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora". Adquirimos o pão da vida sem dinheiro, sem mérito, somente por boa vontade e amor divinos, que garantia temos de que sempre seremos aceitos, já que se trata de uma doação e não de obrigação da parte de Deus? Jesus garante, pela seu compromisso com o Pai que nunca, em hipótese alguma rejeitará os que forem a ele, pois se foi o Pai quem os deu, será uma questão de compromisso entre o Pai e seu amado Filho!

O que este texto bíblico tem a ver com você leitor? Poderíamos refletir sobre isto com as seguintes perguntas: Qual é o seu pão preferido neste dia? O que você busca a maior parte de seu tempo? Sairá de um especial com Cristo em posse de bênçãos terrenas ou como posse do próprio Cristo?

Ao ouvir o discurso de Jesus muitos de seus discípulos se ofenderam e não queriam mais andar com ele mas ao ser questionado, Jesus agrava a ofensa e ainda pergunta: “Quereis vós também retirar-vos? (verso 67). Você pode ficar aos pés de Cristo mesmo que isto exija a quebra de paradigmas e a auto renúncia ou ir embora sem provar do dom de Deus e permanecer com a mesma noção de vida: fraca, falida, religiosa, sem poder, morta, sobretudo sem garantia nenhuma da parte de Jesus. Se o Pai o está trazendo, venha a Cristo!

SDG

Na cruz com Cristo - Sobre a necessidade de permanecer sofrendo com Cristo.




Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (Gálatas 2.20)


Paulo afirmou que já estava crucificado com Cristo. O que ele quis dizer com isto é que não vivia mais buscando os seus próprios desejos mas procurava a vontade de Deus em sua vida, o que o levava por vezes a sofrer física e emocionalmente. Numa sociedade hedonista, não faz sentido estar na cruz por opção já que não há benefício ou prazer aparente.

Jesus ao ser levado à cruz foi convidado a descer dela, a evitar o sofrimento que ainda o esperava, deixar o projeto pela metade, mas ele não quis, ficou lá submetendo-se aos maus tratos de qualquer que quisesse. Não creio que sem propósito estas palavras tenham sido registradas, mas para que pudéssemos ter um exemplo digno de ser seguido.

Todas as vezes que me vejo pensando sobre o problema do mal, o sofrimento inimaginável que muitos cristãos sofrem ao redor do mundo ao perder suas famílias, tendo seus corpos violados, bens confiscados, sou por isto tentado a dizer "onde está Deus nesta hora?". Inevitavelmente me lembro da cruz. Foi lá que Deus sofreu por nós, dores intensas, imensas. Por isto, embora não me venha nenhuma explicação simples sobre o motivo de tanto sofrimento, vejo uma grande luz, a esperança fundamentada no fato que se Deus sofreu por mim e suportou todo o mal por mim, ele não está alheio aos meus sofrimentos ou de qualquer outro, seja ele de maior ou menor intensidade.

A cruz é o melhor lugar para o crente estar. Existem pelo menos três motivos para que acreditemos nisto, quero agora apresentá-los:

O primeiro motivo para acreditarmos que a cruz é o nosso melhor lugar é que somente na cruz viveremos o verdadeiro Evangelho. Sim, eu sei que você pode ter ouvido frases como "venha a Jesus e pare de sofrer!" mas infelizmente este convite não tem nenhuma base confiável na revelação das escrituras. O chamado de Jesus para segui-lo é um chamado ao sofrimento e a cruz é fator essencial, indispensável para quem deseja viver o verdadeiro evangelho. Jesus disse: "se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Marcos 8.34). 

O segundo motivo para acreditarmos que a cruz é o nosso melhor lugar é que somente na cruz temos a companhia de Cristo neste mundo. Na eternidade poderemos desfrutar da companhia de Jesus sem nenhum inconveniente mas enquanto estivermos aqui neste mundo, temos a garantia de estar juntos de Jesus enquanto estivermos na cruz, pois como o apóstolo bem disse, "já estou crucificado com Cristo", não estamos à parte dele ou apenas de baixo de sua supervisão, mas estamos "com Cristo", isto quer dizer que não estamos sós em nossos sofrimentos que sejam por causa do Evangelho ou quaisquer outros, Jesus sempre está conosco e compartilha dos nossos sofrimentos, ao ponto de dizer no dia do juízo que teve fome, sede, que esteve nu, preso e enfermo, e quando foi que esteve em tamanhas desventuras? Quando um de seus pequeninos assim estiveram. Aos discípulos ele prometeu "estarei convosco até a consumação dos séculos" e esta palavra se aplica a nós.

O terceiro motivo para acreditarmos que a cruz é o nosso melhor lugar é que a cruz nos livra do verdadeiro mal e nos revela a vontade de Deus. Paulo inicia sua carta aos gálatas dizendo que Jesus "se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau" (Gálatas 1.4). Uma das vitórias de Cristo na cruz foi ter ganhado o poder de nos tornar livres deste sistema no qual estamos inseridos. A palavra "livrar" é traduzida por "desarraigar" na ARA e tem um significado muito interessante. Desarraigar o crente do mundo não é uma coisa que Cristo faz apenas por nós, mas faz também em nós, isto é por meio de nós. Na cruz nos desapegamos desta vida passageira. Assisti a um vídeo do Dr. Russel Sheed já em seus últimos dias de vida, quando ele dizia que o sofrimento que a doença que lhe acometera estava causando a ele, estava sendo útil para o "desmamar" desta vida. Não é isto que os sofrimentos terrenos nos fazem? Quanto mais sofremos aqui mais desejamos as glórias do céu com Cristo. Há muitas referências bíblicas que tratam do sofrimento como um recurso pedagógico utilizado por Deus para nos aperfeiçoar. Jesus suportou sua cruz por que o seu objetivo era para além deste sistema, deste mundo.

A conclusão que podemos chegar é que se Cristo permaneceu na cruz, nos devemos estar nela também. Não nos faltarão convites para abandonar ao mestre mas tenhamos a convicção de que o verdadeiro Evangelho, a companhia inigualável de Cristo e o aperfeiçoamento para a eternidade só podem ser encontrados no peso de uma cruz.

SDG


Um espinho na carne

Deus nos dá "espinhos na carne" à medida que recebemos mais dele, para que não sejamos soberbos.

Há muitas especulações a respeito que que seria exatamente o tal "espinho na carne" ao qual Paulo se referiu em 2Co 12.10. De todas elas, eu prefiro a explicação de que se tratava de algum inimigo pessoal de Paulo, que como um "mensageiro de satanás" o perseguia, e que talvez colocasse em cheque a mansidão dele. 

O contexto favorece esta interpretação por pelo menos dois motivos: primeiro, Paulo está defendendo o seu apostolado, e só seria necessário defende-se mediante um ataque direto; segundo, o espinho na carne está ligado no texto ao mensageiro de satanás (opositor).

O espinho. A palavra "espinho" (grego: skolops) nos remete à imagem não de um pequeno espinho que incomodava o apóstolo, mas literalmente à uma estaca que era enterrada na carne, isto é, o espinho não simbolizava mero incômodo, antes, um sofrimento intenso e contínuo. 

As revelações. Paulo recebeu a revelação a qual se refere neste texto, quatorze anos antes, isto remete ao período de solidão que ele passou no deserto da Arábia, ou ao período de quatorze anos que passou em Tarso longe dos holofotes do ministério. Nos momentos de afastamento Deus forja em nós os homens e mulheres que devemos ser.

O perigo do orgulho. Paulo com certeza poderia por conta se sua natureza humana pecaminosa, exaltar-se, usar daquilo que Deus lhe mostrara para tentar sobressair-se aos irmãos. Os dons e privilégios que Deus nos dá não devem ser motivo de autopromoção na igreja, somos todos iguais diante de Deus, e sempre que Deus nos dá algum dom, devemos usá-lo com cuidado para não trazer a glória para o homem.

Um espinho como providência de Deus. Como uma forma de equilibrar a vida espíritual de Paulo, Deus permitiu que satanás o fizesse sofrer de alguma forma, ao ponto de Paulo considerar como uma "estaca na carne".

As adversidades e sofrimentos na vida de Paulo não eram obra do acaso, algo que lhe ocorreu por mera questão de causa e efeito, mas eram efeito da providência de Deus para que Paulo não se tornasse orgulhoso. Há um propósito bem definido por Deus em cada sofrimento que o cristão passa neste mundo. A provações nos aperfeiçoam, conforme podemos ler em 1Pe 1.6-9 e Tg 1.2-4.

O que fazer com o espinho na carne? Paulo recebia o espinho na carne com a mesma submissão que recebia as revelações de Deus. Ele não se alegrava pelas dificuldades em si, mas pelo fato que eram formas de Deus o aperfeiçoar. Alguns textos que nos falam das aflições e provações do apóstolo: 2 Co 12.9-10; Fl 4.11; Rm 8.35-3. Recebamos de bom grado tudo o que Deus nos mandar, pois ele cuida de nós provendo aquilo do que precisamos para que sejamos perfeitos. Murmurar, reclamar, entristece-se, de nada nos é proveitoso, mas precisamos ver além das provações.

Todos temos espinhos! Jesus disse que quem quisesse segui-lo, deveria carregar a sua cruz, que é outro símbolo de sofrimento terreno. Que possamos assim ser moldados por Deus em nossas mentes para vermos a mão de Deus que nos prova, mas não além daquilo que podemos suportar.

Qual é o espinho na sua carne? Como você têm lidado com ele? Você consegue discernir em qual área da sua vida Deus está operando para te aperfeiçoar?

As respostas a estas perguntas pode dar um diagnóstico, e uma direção.

A Deus toda Glória

LPS